Odeio encontros familiares,odeio minha casa e odeio quem me odeia.Nunca gostei de viajar,na verdade eu vivo no tédio.Minha vida se baseia no meu Notbook, Ipod e meu caderno velho de arquivos escritos, Prazer Natasha.
Nos últimos dias, estou no Rancho de uma velha que diz ser minha avó, que cozinha umas melecas no jantar,e fica o dia todo costurando um paninho.
Minha mãe sempre me prende nessa prisão rural quando apronto alguma,claro nada demais,aliás,quem pegou o carro do pai , saiu com os amigos e voltou no outro dia , foi o Jeremy.
Tentei fugir desse mato,mas nem sei para onde fica a cidade,a civilização pra ser mais exata.Meus tios insuportáveis irão me buscar no mês quem vem,fale sério,eu vou morrer neste lugar preciso de Coca-cola,de um bom hambúrguer e fritas.
Andei á cavalo pelos campos desérticos e montanhosos,acho que é a única coisa boa que se tem pra fazer aqui. Spotacus,é bege de crina escura, relativamente o meu companheiro.Os meus amigos devem estar bem,curtindo e fazendo loucuras pelas ruas da cidade na madrugada,mas com certeza a policia vai dar um jeito(risos).
Meus primos estranhos que nunca vi na vida moram aqui desde pequenos,e estudam em um colégio Rural á quilômetros dali, um verdadeiro esforço pra estudar,eu não faria aquilo.
Sinto falta das minhas noites agitadas,barulhentas e divertidas.Mas agora eu tenho apenas um quarto frio,uma mobília velha e fedorenta além de um banheiro feio sem espelho. Não consigo dormir com os mosquitinhos chatos e com as cigarras cantantes
.Meu cabelo está sofrendo sem a minha querida chapinha e minhas melhores roupas ficaram em casa,sem maquiagem e produtos especiais,estou uma verdadeira bruxa.
Estou contando os dias pra ir embora desse lugar,caso contrário eu mesmo arrumo meu velório .
Passo o dia inteiro no cômodo que chamam de quarto de hóspedes.Nessa semana,eu encontrei meu velho violão dentro da bojota estranha e milenar onde guardam as roupas.
Comecei a praticar em meio ás árvores vivas da mata escura,senti o ar fresco ,a tranqüilidade e a pureza que o campo possui, foi muito bom.
Tragédia foi anunciada no almoço de uma quinta-feira: meu tio falecera.
Um desequilíbrio emocional viera a me seguir ,e tristeza predominou pelo resto do dia.
Pensei no meu pai,que partira já havia anos.No meu irmão que estava do outro lado do mundo no momento e na minha avó,que não tecera mais o velho paninho,mas que chorava de frente a janela enferrujada.
No outro dia,vesti minhas roupas pretas e rotineiras,e me dirigi ao pasto,onde ele seria velado.Arrumei as flores,os arranjos e o resto dos parentes chegaram para o esperado.
Era minha última semana,minha mãe não compareceu,me deixando envergonhada.Como despedida,peguei meu violão e toquei uma música que compunha para meu tio.
Acho que essa passagem me fez crescer,afinal,amadurecer e perceber que a vida não se baseia nas noitadas,tudo bem,são divertidas eu adoro,mas tenho consciência de que não vale a pena.
Os dias seguintes passei a acompanhar meus primos,fazendo trilhas,nadando nos rios ou correndo entre os pomares.Nos divertimos mais do que nunca,principalmente fugindo dos búfalos bravos que eram soltos no campo(mais risos).
De noite íamos na mata proibida pegar os vaga-lumes que brilhavam como esmeraldas vivas,acordando minhas tias com as altas gargalhadas.
Lúcio,Gina,Jonh e Alegra, eu sentirei falta de vocês.Foi muito bom,uma experiência que eu jamais irei esquecer .Aprendi a ser simples,humilde e perceber pequenos detalhes fazem a diferença .Voltarei com certeza,não importa o tempo que passar,eu mandarei cartas e lembranças ,já estou sentindo saudades queridos,eu amo todos .
Coloquei a carta em cima da cama,peguei minha mala e me dirigi ao carro de meu padrasto que viera me buscar depois de um mês .Com uma despedida rápida,entrei no carro na esperança de ninguém me ver chorando.Na estrada de terra,percebi pelo retrovisor quatro cavalos nos seguindo.Coloquei a cabeça para fora e pude ver os meus primos acenando com os braços, felizes como sempre.Acenei de volta e deixei perceber a minha tristeza por ter que ir.
Voltarei mesmo,eu nunca vou me esquecer deles.Estou pensando no que aprontar pra voltar e poder vê-los novamente.Foi incrível,as melhores férias da minha vida.Mas preciso urgente de um sanduíche bem gorduroso.Mudara de visão sobre a vida rural que eles levam,eu acho que é bem melhor do que a minha urbana e monótona
Assinado,Natasha C.S